sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O naufrágio

Era um navio ao mar.

Há pouco tempo havia deixado a costa e foi surpreendido por uma tempestade. Não era de tanta gravidade, mas a tripulação era inexperiente. Na adversidade, não creram na bonança que veriam logo a frente.

O mais amedrontado da tripulação acabara de vivenciar um naufrágio, e apesar de ter se salvado, não se fez um marujo melhor. Temendo que dessa vez seu destino fosse pior, começou a gritar para todos os companheiros ao seu lado:

- Salve-se quem puder! Abandonar o navio!

Triste foi o episódio que se seguiu...

Um a um da tripulação desistindo de lutar, se rendeu à tempestade que logo iria se acalmar. Os sentimentos, os sonhos e as promessas se jogaram ao mar. Ninguém ficou para salvar o navio. Ninguém quis se importar.

Cada um enfrentava o mar sem muito sucesso. Pela fúria da tempestade ficaram dispersos, e lutando contra as ondas, cada um para o seu lado, nadando desesperados, procuravam se salvar.

Os poucos sobreviventes desse naufrágio, que nem se concretizou, se salvaram nas praias das ilhas ao redor. Cada um em uma ilha, ficaram sós e isolados. Ninguém se preocupava em procurar culpados, nem condenavam o primeiro, o mais desesperado. Cada um sofria sua solidão calado.

Todos os dias, ao entardecer, na hora do pôr-do-sol, procuravam um lugar no alto. Uma pedra, uma árvore, um pequeno monte. De lá assistiam uma cena triste demais, lá ao longe, no horizonte. Um navio que nunca chegou ao cais, mas que deslizava manso e em paz, e navegava sem tripulantes.

12 comentários:

  1. Respostas
    1. Tá bom sim.
      Só acho que faltou aquele lance surpreendente dos contos, meio que você não espera e acontece.

      Foi isso que aprendi na teoria e fiz meio que sem querer no meu primeiro e praticamente, único conto: Dia chuvoso.

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  2. O verão vem com um sol maravilhoso, mas poucos se lembram que com o sol vem grandes tempestades..

    Não tem jeito, o ritmo e as rimas estão ai, né? Tá no cerne ser poeta! Ao contrário de mim, que sou pura prosa ;)

    Ass.: Uma das árvores da cidade :)

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    1. É mais forte do que eu... não rimar é quase um desperdício rs
      Que não seja um Baobá! ;)

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  3. Lindo seu conto Pita, ele falou comigo de forma bem particular.
    Dizem que quando estamos sensíveis a voz de Deus, Ele fala conosco em todo tempo, local, ocasião e até em contos :)

    Obrigada pelas lindas palavras, que tocaram nesse momento o meu coração!!!

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  4. Ô poeta, vc não cansa de me deixar maravilhada né? Bom garoto! Arrebatava o meu coração com a poesia, e agora me deixou sem palavras com a prosa!
    Que beleza, poeta! (:

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    1. Que belezura de se ler. Isso foi melhor que cafuné a tarde na rede da varanda :)
      Obrigado, Rute!
      Cadê os girassóis? Não começaram contar histórias ainda? ;)

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    2. Olha, é difícil encontrar algo melhor do que "cafuné à tarde na rede da varanda" :)
      Eu vou recomeçar a escrever qualquer dia desses. Por enquanto eu tô me embelezando com essas maravilhas de textos! hehe

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